A Música
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  1. Introdução:

    A música (do grego µ??s??? t????musiké téchne, a arte das musas) é uma forma de arte que constitui−se basicamente em combinar sons e silêncio seguindo ou não uma pré−organização ao longo do tempo.

    É considerada por diversos autores como uma prática cultural e humana. Atualmente não se conhece nenhuma civilização ou agrupamento que não possua manifestações musicais próprias. Embora nem sempre seja feita com esse objetivo, a música pode ser considerada como uma forma de arte, considerada por muitos como sua principal função.

    A criação, a performance, o significado e até mesmo a definição de música variam de acordo com a cultura e o contexto social. A música vai desde composições fortemente organizadas (e a sua recriação na performance), música improvisada até formas aleatórias. A música pode ser dividida em gêneros e subgêneros, contudo as linhas divisórias e as relações entre gêneros musicais são muitas vezes sutis, algumas vezes abertas à interpretação individual e ocasionalmente controversas. Dentro das "artes", a música pode ser classificada como uma arte de representação, uma arte sublime, uma arte de espectáculo.

    Para indivíduos de muitas culturas, a música está extremamente ligada à sua vida. A música expandiu−se ao longo dos anos, e atualmente se encontra em diversas utilidades não só como arte, mas também como a militar, educacional ou terapêutica (musicoterapia). Além disso, tem presença central em diversas atividades coletivas, como os rituais religiosos, festas e funerais.

    Há evidências de que a música é conhecida e praticada desde a pré−história. Provavelmente a observação dos sons da natureza tenha despertado no homem, através do sentido auditivo, a necessidade ou vontade de uma atividade que se baseasse na organização de sons. Embora nenhum critério científico permita estabelecer seu desenvolvimento de forma precisa, a história da música confunde−se, com a própria história do desenvolvimento da inteligência e da cultura humana.

    Notação musical é o nome genérico de qualquer sistema de escrita utilizado para representar graficamente uma peça musical, permitindo a um intérprete que a execute da maneira desejada pelo compositor ou arranjador. O sistema de notação mais utilizado atualmente é o sistema gráfico ocidental que utiliza símbolos grafados sobre uma pauta de 5 linhas, também chamada de pentagrama. Diversos outros sistemas de notação existem e muitos deles também são usados na música moderna.

    O elemento básico de qualquer sistema de Notação musical é a nota, que representa um único som e suas características básicas são: duração e altura. Os sistemas de notação também permitem representar diversas outras características, tais como variações de intensidade, expressão ou técnicas de execução instrumental.

  2. Definição:

    Definir a música não é tarefa fácil porque apesar de ser intuitivamente conhecida por qualquer pessoa, é difícil encontrar um conceito que abarque todos os significados dessa prática. Mais do que qualquer outra manifestação humana, a música contém e manipula o som e o organiza no tempo. Talvez por essa razão ela esteja sempre fugindo a qualquer definição, pois ao buscá-la, a música já se modificou, já evoluiu. E esse jogo do tempo é simultaneamente físico e emocional. Como "arte do efêmero", a música não pode ser completamente conhecida e por isso é tão difícil enquadrá−la em um conceito símples. A música também pode ser definida como uma forma de linguagem que se utilize da voz, instrumentos musicais e outros artifícios, para expressar algo à alguém.

    Um dos poucos consensos é que ela consiste em uma combinação de sons e de silêncios, numa sequência simultânea ou em sequências sucessivas e simultêneas que se desenvolvem ao longo do tempo. Neste sentido, engloba toda combinação de elementos sonoros destinados a serem percebidos pela audição. Isso inclui variações nas características do som (altura, duração, intensidade e timbre) que podem ocorrer sequencialmente (ritmo e melodia) ou simultaneamente (harmonia). Ritmo, melodia e harmonia são entendidos aqui apenas em seu sentido de organizaâão temporal, pois a música pode conter propositalmente harmonias ruidosas (que contém ruídos ou sons externos ao tradicional) e arritmias (ausência de ritmo formal ou desvios ritmicos).

    E é nesse ponto que o consenso deixa de existir. As perguntas que decorrem desta símples constatação encontram diferentes respostas, se encaradas do ponto de vista do criador (compositor), do executante (músico), do historiador, do filósofo, do antropólogo, do linguista ou do amador. E as perguntas são muitas:

    • Toda combinação de sons e silêncios é música?
    • Música é arte? Ou de outra forma, a música é sempre arte?
    • A música existe antes de ser ouvida? O que faz com que a música seja música é algum aspecto objetivo ou ela é uma construção da consciência e da percepção?

    Mesmo os adeptos da música aleatória, responsáveis pela mais recente desconstrução e reformulação da prática musical, reconhecem que a música se inspira sempre em uma "matéria sonora", cujos dados perceptíveis podem ser reagrupados para construir uma "matéria musical", que obedece a um objetivo de representação próprio do compositor, mediado pela técnica. Em qualquer forma de percepção, os estímulos vindos dos órgãos dos sentidos precisam ser interpretados pela pessoa que os recebe. Assim também ocorre com a percepção musical, que se dá principalmente pelo sentido da audição. O ouvinte não pode alcançar a totalidade dos objetivos do compositor. Por isso reinterpreta o "material musical" de acordo com seus próprios critérios, que envolvem aquilo que ele conhece, sua cultura e seu estado emocional.

    Da diversidade de interpretações e também das diferentes funções em que a música pode ser utilizada se conclui que a música não pode ter uma só definição precisa, que abarque todos os seus usos e gêneros. Todavia, é possível apresentar algumas definições e conceitos que fundamentam uma "história da música" em perpétua evolução, tanto no domínio do popular, do tradicional, do folclórico ou do erudito.

    O campo das possíveis definições é na verdade muito grande. Há definições de vários músicos (como Schönberg, Stravinsky, Varèse, Gould, Jean Guillou, Boulez, Berio e Harnoncourt), bem como de musicólogos como "Carl Dalhaus", "Jean Molino", "Jean−Jacques Nattiez", "Célestin Deliège", entre outros. Entretanto, quer sejam formuladas por músicos, musicólogos ou outras pessoas, elas se dividem em duas grandes classes: uma abordagem intrínseca, imanente e naturalista contra uma outra que a considera antes de tudo uma arte dos sons e se concentra na sua utilização e percepção.

    1. A abordagem naturalista:

      De acordo com a primeira abordagem, a música existe antes de ser ouvida; ela pode mesmo ter uma existência autônoma na natureza e pela natureza. Os adeptos desse conceito afirmam que, em si mesma, a música não constitui arte, mas criá−la e expressá−la sim. Enquanto ouvir música possa ser um lazer e aprendê−la e entendê−la seja fruto da disciplina, a música em si é um fenômeno natural e universal. A teoria da ressonância natural de Mersenne e Rameau vai neste sentido, pois ao afirmar a natureza matemática das relações harmônicas e sua influência na percepção auditiva da consonância e dissonância, ela estabelece a preponderância do natural sobre a prática formal. Consideram ainda que, por ser um fenômeno natural e intuítivo, os seres humanos podem executar e ouvir a música virtualmente em suas mentes sem mesmo aprendê−la ou compreendê−la. Compor, improvisar e executar são formas de arte que utilizam o fenômeno Música.

      Sob esse ponto de vista, não há a necessidade de comunicação ou mesmo da percepção para que haja música. Ela decorre de interações físicas e prescinde do humano.

    2. A abordagem funcional, artística e espiritual:
    3. Para um outro grupo, a música não pode funcionar a não ser que seja percebida. Não há, portanto, música se não houver uma obra musical que estabelece um diálogo entre o compositor e o ouvinte. Este diálogo funciona por intermédio de um gesto musical formante (dado pela notação) ou formalizado (por meio da interpretação). Neste grupo há quem defina música como sendo "a arte de manifestar os afectos da alma, através do som" (Bona). Esta expressão informa as seguintes características: 1) música é arte: manifestação estética, mas com especial intenção a uma mensagem emocional; 2) música é manifestação, isto é, meio de comunicação, uma das formas de linguagem a ser considerada, uma forma de transmitir e recepcionar uma certa mensagem, entre indivíduos considerados, ou entre a emoção e os sentidos do próprio indivíduo que entona uma música; 3) utiliza-se do som, é a idéia de que o som, ainda que sem o silêncio pode produzir música, o silêncio individualmente considerado não produz música.

      Para os adeptos dessa abordagem, a música só existe como manifestação humana. É atividade artística por excelência e possibilita ao compositor ou executante compartilhar suas emoções e sentimentos. Sob essa óptica, a música não pode ser um fenômeno natural, pois decorre de um desejo humano de modificar o mundo, de torná−lo diferente do estado natural. Em cada ponta dessa cadeia, há o homem. A música é sempre concebida e recebida por um ser humano. Neste caso, a definição da música, como em todas as artes, passa também pela definição de uma certa forma de comunicação entre os homens. Como não pode haver diálogo ou comunicação sem troca de signos, para essa vertente a música é um fenômeno semiôtico.

    4. Definição negativa:

      Uma vez que é difícil obter um conceito sobre o que é a música, alguns tendem a definí−la pelo que não é:

      • A música não é uma linguagem normal. A música não é capaz de significar da mesma forma que as línguas comuns. Ela não é um discurso verbal, nem uma língua, nem uma linguagem no sentido da linguística (ou seja uma dupla articulação signo/significado), mas sim uma linguagem peculiar, cujos modos de articulação signo musical/significado musical vêm sendo estudados pela Semiótica da Música;
      • A música não é ruído. O ruído pode ser um componente da música, assim como também é um componente (essencial) do som. Embora a Arte dos ruídos teorizasse a introdução dos sons da vida cotidiana na criação musical, o termo "ruído" também pode ser compreendido como desordem. E a música é uma organização, uma composição, uma construção ou recorte deliberado (se considerarmos os elementos componentes do som musical). A oposição que normalmente se faz entre estas duas palavras pode conduzir à confusão e para evitá−la é preciso se referir sempre à idéia de organização. Quando Varèse e Schaeffer utilizam ruídos de tráfego na música concreta ou algumas bandas de Rock industrial, como o Einstürzende Neubauten, utilizam sons de máquinas, devemos entender que o "ruído" selecionado, recortado da realidade e reorganizado se torna música pela intenção do artísta;
      • A música não é totalizante. Ela não tem o mesmo sentido para todos que a ouvem. Cada indivíduo usa a sua própria emotividade, sua imaginação, suas lembranças e suas raízes culturais para dar a ela um sentido que lhe pareça apropriado. Podemos afirmar que certos aspectos da música têm efeitos semelhantes em populações muito diferentes (por exemplo, a aceleração do ritmo pode ser interpretada frequentemente como manifestação de alegria), mas todos os detalhes, todas as sutilezas de uma obra ou de uma improvisação não são sempre interpretadas ou sentidas de maneira semelhante por pessoas de classes sociais ou de culturas diferentes;
      • A música não é sua representação gráfica. Uma partitura é um meio eficiente de representar a maneira esperada da execução de uma composição, mas ela só se torna música quando executada, ouvida ou percebida. A partitura pode ter méritos gráficos ou estéticos independentes da execução, mas não é, por si só, música.
    5. Definição social:

      Por trás da multiplicidade de definições, se encontra um verdadeiro fato social, que coloca em jogo tanto os critérios históricos, quanto os geográficos. A música passa tanto pelos símbolos de sua escritura (Notação musical), como pelos sentidos que são atribuídos a seu valor afetivo ou emocional. É por isso que, no ocidente, nunca parou de se estender o fosso entre as músicas do ouvido (próximas da terra e do folclore e dotadas de uma certa espiritualidade) e as músicas do olho (marcadas pela escritura, pelo discurso). Nossos valores ocidentais privilegiam a autenticidade autoral e procuram inscrever a música dentro de uma história que a liga, através da escrita, à memória de um passado idealizado. As músicas não ocidentais, como a africana apelam mais ao imaginário, ao mito, à magia e fazem a ligação entre a potencialidade espiritual e corporal. O ouvinte desta música, bem como o da música folclórica ou popular ocidental participa diretamente da expressão do que ouve, através da dança ou do canto grupal, enquanto que um ouvinte de um concerto na tradição erudita assume uma atitude contemplativa que quase impede sua participação corporal, como se só a sua mente estivesse presente ao concerto. O desenvolvimento da Notação musical e a constituição artificial do sistema de temperamentos consolidou na música, o dualismo corpo−mente típico do racionalismo cartesiano. E de tal forma esse movimento se fortaleceu que mesmo a música popular ocidental, ainda que menos dualista, se rendeu à sistematização, na qual se mantém até hoje.

  3. Origem:

    Os sistemas de Notação musical existem há milhares de anos. Foram encontradas evidências arqueológicas de escrita musical praticada no Egito e Mesopotâmia por volta do terceiro milênio a.C.. Outros povos também desenvolveram sistemas de notação musical em épocas mais recentes. Os gregos utilizavam um sistema que consistia de símbolos e letras que representavam as notas, sobre o texto de uma canâão. Um dos exemplos mais antigos deste tipo é o Epitáfio de Seikilos, encontrado em uma tumba na Turquia. Os Gregos tinham pelo menos quatro sistemas derivados das letras do alfabeto;

    Epitáfio de Seikilos

    O conhecimento deste tipo de notação foi perdido juntamente com grande parte da cultura grega após a invasão romana.

    O sistema moderno teve suas origens nas neumas (do latim: sinal ou curvado), símbolos que representavam as notas musicais em peças vocais do canto gregoriano, por volta do século VIII. Inicialmente, as neumas, pontos e traços que representavam intervalos e regras de expressão, eram posicionadas sobre as sílabas do texto e serviam como um lembrete da forma de execução para os que já conheciam a música. No entanto este sistema não permitia que pessoas que nunca a tivessem ouvido pudessem cantá−la, pois não era possível representar com precisão as alturas e durações das notas.

    Os primeiros neumas, apenas como marcas junto das palavras. Fragmento de Laon, Metz, meados do século X

    Para resolver este problema as notas passaram a ser representadas com distâncias variáveis em relação a uma linha horizontal. Isto permitia representar as alturas. Este sistema evoluiu até uma pauta de quatro linhas, com a utilização de claves que permitiam alterar a extensão das alturas representadas. Inicialmente o sistema não continha símbolos de durações das notas pois elas eram facilmente inferidas pelo texto a ser cantado. Por volta do século X, quatro figuras diferentes foram introduzidas para representar durações relativas entre as notas.

    Grande parte do desenvolvimento da Notação musical deriva do trabalho do monge beneditino Guido d'Arezzo (aprox. 992 — aprox. 1050). Entre suas contribuições estão o desenvolvimento da notação absoluta das alturas (onde cada nota ocupa uma posição na pauta de acordo com a nota desejada). Além disso foi o idealizador do solfejo, sistema de ensino musical que permite ao estudante cantar os nomes das notas. Com essa finalidade criou os nomes pelos quais as notas são conhecidas atualmente (Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá e Si) em substituição ao sistema de letras de A a G que eram usadas anteriormente. Os nomes foram retirados das sílabas iniciais de um Hino a São João Batista, chamado Ut queant laxis. Como Guido d'Arezzo utilizou a italiano em seu tratado, seus termos se popularizaram e é essa a principal razão para que a notação moderna utilize termos em italiano.

    Nesta época o sistema tonal já estava desenvolvido e o sistema de notação com pautas de cinco linhas tornou−se o padrão para toda a música ocidental, mantendo−se assim até os dias de hoje. O sistema padrão pode ser utilizado para representar música vocal ou instrumental, desde que seja utilizada a escala cromática de 12 semitons ou qualquer de seus subconjuntos, como as escalas diatônicas e pentatônicas. Com a utilização de alguns acidentes adicionais, notas em afinações microtonais também podem ser utilizadas.

    Transcrição de tablatura para órgão, século XVI. Abaixo, o equivalente em notação moderna.

  4. Notação padrão:

    A Notação musical padrão é escrita sobre uma pauta de cinco linhas. Por isso também é chamada de pentagrama. O conjunto da pauta e dos demais símbolos musicais, representando uma peça musical é chamado de partitura. Seguem−se alguns dos elementos que podemos encontrar numa partitura.

    1. Representação das durações:

      Tempo e compasso — regulam quantas unidades de tempo deverão existir em cada compasso. Os compassos são delimitados na partitura por linhas verticais e determinam a estrutura rítmica da música. O compasso escolhido está diretamente associado ao estilo da música. Uma valsa por exemplo, tem o compasso 3/4 e, um rock tipicamente, usa o compasso 4/4.

      Em uma fórmula de compasso, o denominador indica em quantas partes uma semibreve deve ser dividida para obtermos uma unidade de tempo (na notação atual a semibreve é a maior duração possível e por isso todas as durações são tomadas em referência a ela). O numerador define quantas unidades de tempo o compasso contém. No exemplo abaixo estamos perante um tempo de "quatro por quatro", ou seja, a unidade de tempo tem duração de 1/4 da semibreve e o compasso tem 4 unidades de tempo. Neste caso, uma semibreve iria ocupar todo o compasso.

      Dó na clave de Sol, com um tempo de 4 por 4.

      Figuras musicais — Valores ou figuras musicais são símbolos que representam o tempo de duração das notas musicais. São também chamados de valores positivos.

      Os símbolos das figuras são usados para representar a duração do som a ser executado. As notas são mostradas na figura abaixo, por ordem decrescente de duração. Elas são: semibreve, mínima, semínima, colcheia, semicolcheia, fusa e semifusa.

      Antigamente existia ainda a breve, com o dobro da duração da semibreve, a longa, com o dobro da duração da breve e a máxima, com o dobro da duração da longa. Mas essas notas não são mais usadas na notação atual. Cada nota tem metade da duração da anterior. Se pretendermos representar uma nota de um tempo e meio (por exemplo, o tempo de uma mínima acrescentado ao de uma colcheia) usa−se um ponto a seguir à nota.

      A duração real (medida em segundos) de uma nota depende da fórmula de compasso e do andamento utilizado. Isso significa que a mesma nota pode ser executada com duração diferente em peças diferentes ou mesmo dentro da mesma música, caso haja uma mudança de andamento.

      Notas musicais

      Nota pontuada é uma nota musical que é seguida com um ponto logo a sua frente. Este ponto adiciona metade do valor da nota que o precede.

      Pausas — representam o silêncio, isto é, o tempo em que o instrumento não produz som, sendo chamados valores negativos. As pausas se subdividem também como as notas em termos de duração. Cada pausa dura o mesmo tempo relativo que sua nota correspondente, ou seja, a pausa mais longa corresponde exatamente à duração de uma semibreve. A correspondência é feita na seguinte ordem:

      Pausas

    2. Representação das alturas:

      Clave — clave de Sol, clave de Fá, clave de Dó. Propõe toda a representação musical a uma que mais se adeque ao instrumento que a irá reproduzir. Por exemplo, as vozes graves usam geralmente a clave de Fá, enquanto que as mais agudas usam a clave de Sol. Costuma dizer−se que a clave de Fá começa onde acaba a clave de Sol. De um modo geral, é a clave que define qual a nota que ocupará cada linha ou espaço na pauta.

      As várias claves

      Alturas — a altura de cada nota é representada pela sua posição na pauta em referência à nota definida pela clave utilizada, como mostrado abaixo:

      As Claves

      Deslocações de tom ou acidentes: o sustenido, o bemol, o dobrado sustenido e o dobrado bemol. São representados sempre antes do símbolo da nota cuja altura será modificada e depois do nome das notas, cifras e tonalidades. Um sustenido desloca a nota meio−tom acima (na escala), um dobrado sustenido desloca o som um tom acima, um bemol desloca a nota meio−tom abaixo e o dobrado bemol desloca o som um tom abaixo. Por exemplo, pode−se dizer que um "Fá sustenido" (Fá #) é a mesma nota que um "Sol bemol" (Sol b), porém, devido às características de cada instrumento (e à sua própria disposição da escala), o timbre pode variar. Considere, como exemplo, o caso da guitarra, em que um Dó tocado na segunda corda (Si), primeira posição, é equivalente a um Dó tocado na terceira corda (Sol) na quinta posição, embora o timbre seja diferente.

      Acidentes

      Uma vez que um sustenido ou bemol tenha sido aplicado a uma nota, todas as notas de mesma altura manterão a alteração até o fim do compasso. No compasso seguinte, todos os acidentes perdem o efeito e, se necessário, deverão ser aplicados novamente. Se desejarmos anular o efeito de um acidente aplicado imediatamente antes ou na chave de tonalidade, devemos usar um bequadro, que faz a nota retornar à sua condição natural. No exemplo visto acima podemos notar que a terceira nota do primeiro compasso também é sustenida, pois o acidente aplicado à nota anterior permanece válido e só é anulado pelo bequadro que faz a quarta nota voltar a ser um Lá natural. O segundo compasso é semelhante a não ser pelo acidente aplicado que é um bemol. No terceiro compasso, uma nota Sol, um Lá dobrado bemol e um Fá dobrado sustenido. Embora tenham nomes diferentes e ocupem posições diferentes na clave, os acidentes aplicados fazem com que as três notas soem exatamente iguais.

      Chave ou Tonalidade, que não é mais que a associação de sustenidos ou bemóis representados junto à clave, indicando a escala em que a música será expressa. Por exemplo, uma representação sem sustenidos ou bemóis, será a escala de Dó Maior. Ao contrário dos acidentes aplicados ao longo da partitura, os sustenidos ou bemóis aplicados na chave duram por toda a peça ou até que uma nova chave seja definida (modulação). Na figura vemos a chave de tonalidade de uma escala de Lá maior. Nesta escala todas as notas Fá, Dó e Sol devem ser sustenidas, por isso os acidentes são aplicados junto à clave.

      Lá maior

    3. Expressão:

      Certos símbolos e textos indicam ao intérprete a forma de executar a partitura, incluindo as variações de volume (dinâmica) e tempo (cinética), assim como a maneira correta de articular as notas e separá−las em frases (articulação e acentuação).

      1. Dinâmica musical:

        A intensidade das notas pode variar ao longo de uma música. Isso é chamado de Dinâmica. A intensidade é indicada em forma de siglas que indicam expressões em italiano sob a pauta.

        • pppianissimo: a intensidade é mais baixa que no piano;
        • ppiano: o som é executado com intensidade baixa;
        • mpmezzo piano: a intensidade é moderada, não tão fraca quanto o piano;
        • mfmezzo forte: a intensidade é moderadamente forte;
        • fforte: a intensidade é forte;
        • fffortissimo: a intensidade é muito forte.

        Símbolos de variação de volume ou intensidade: crescendo e diminuindo, em forma de sinais de maior (>) e menor (<) para sugerir o aumento ou diminuição de volume, respectivamente. Estes devem começar onde se deverá iniciar a alteração e esticar−se até à zona onde a alteração deverá ser interrompida. O volume deve permanecer no novo nível até que uma nova indicação seja dada. A variação também pode ser brusca, bastando que uma nova indicação (p, ff, etc) seja dada.

        A figura abaixo mostra um solo de trompa da Sinfonia número 5 de Tchaikovsky. Esta partitura apresenta várias marcas de dinâmica.

        Sinfonia número 5 de Tchaikovsky

      2. Cinética musical:

        Cinética Musical (do grego kine = movimento) ou agógica define a velocidade de execução de uma composição. Esta velocidade é chamada de andamento e indica a duração da unidade de tempo. O andamento é indicado no início da música ou de um movimento e é indicada por expressões de velocidade em italiano, como Allegro — rápido ou addagio — lento. Junto ao andamento, pode ser indicada a expressão com que a peça deve ser interpretada, como: com afeto, intensamente, melancólico, etc.

        Os andamentos são os seguintes:

        • Grave: É o andamento mais lento de todos;
        • Largo: Muito lento, mas não tanto quanto o Grave;
        • Larghetto: Um pouco menos lento que o Largo;
        • Adagio: Moderadamente lento;
        • Andante: Moderado, nem rápido nem lento;
        • Andantino: Semelhante ao andante, mas um pouco mais acelerado;
        • Allegretto: Moderadamente rápido;
        • Allegro: Andamento veloz e ligeiro;
        • Vivace: Um pouco mais acelerado que o Allegro;
        • Presto: Andamento muito rápido;
        • Prestissimo: É o andamento mais rápido de todos.

        Alguns exemplos de combinações de andamento com expressões:

        • Allegro moderato: Moderadamente rápido;
        • Presto con fuoco: Extremamente rápido e com expressão intensa;
        • Andante Cantabile: Velocidade moderada e entoando as notas como em uma canção;
        • Adagio Melancolico: Lento e melancólico.

        Notações de variação de tempo:

        • rallentando: Indica que a execução deve se tornar gradativamente mais lenta;
        • accelerando: Indica que a execução deve se tornar mais rápida;
        • A tempo ou Tempo primo: Retorna ao andamento original;
        • Tempo rubato: Indica que o músico pode executar com pequenas variações de andamento ao seu critério.

  5. Notação ABC:

    ABC é uma linguagem para notação de música — melodia, letra e cifra — usando símbolos gráficos ou letras em formato ASCII, para os acordes a serem executados por um instrumento musical (como por exemplo uma guitarra). Foi projetada para melodias folclóricas e tradicionais originárias da Europa Ocidental (inglesas, irlandesas e escocesas) que podem ser escritas em uma pauta de notação musical convencional. Contudo, é extensível a muitos outros tipos de música, e tem sido usada para jazz e outras formas. São utilizadas acima das letras ou partituras de uma composição musical, indicando o acorde que deve ser tocado em conjunto com a melodia principal ou para acompanhar o canto. Desde a introdução ao final de 1991 por "Chris Walshaw", se tornou muito popular e existem agora vários programas (para sistemas operacionais diversos, como Windows, MacOS, Unix e mesmo para PDAs) que podem ler notação ABC, convertendo−a em partitura ou tocando−a através de alto−falantes de um computador.

    Um princípio da Notação ABC é o de poder ser lida e escrita por humanos e ser ainda tão compacta quanto possível. De fato, é possível executar música diretamente da Notação ABC. Os primeiros programas fizeram uso de ferramentas comumente disponíveis como TeX e MusicTeX. Uma ferramenta de conversão chamada abc2ps, que gera partituras em formato PostScript, tornou a Notação ABC disponível mais facilmente nos PCs comuns, com o auxílio de GhostScript. Agora há ferramentas que produzem partituras com notas inseridas de maneira interativa, incluindo versões Java, e versões que possibilitam a geração de partituras diretamente de formulários na web. Programas que manipulam Notação ABC estão disponíveis sob diversas licenças, incluindo software livre. Há um número de ferramentas que exportam e/ou importam Notação ABC, incluindo conversão dos formatos MIDI, MusicXML e LilyPond.

    Uma característica única de programas ABC é a possibilidade de manipular tanto coletâneas de músicas quanto peças musicais individuais. Milhares de músicas em Notação ABC estão livremente disponíveis.

    A linguagem ABC é um dos candidatos mais prováveis para uso no software MediaWiki para notação musical.

    Um exemplo:

    Este é um exemplo escrito em Notação ABC:

    X:	308			% número da peça (index)
    T: Quem não sabe lê % título
    O: Bahia, capital % origem
    M: 2/4 % metro (compasso)
    L: 1/16 % unidade de duração
    Q: 1/4=84 % andamento (tempo)
    K: A % tom
    %
    "A"A2 A2 c3 A | "Bm"B8 | "D"A2 A2 d3 c | "A"B A A A − A A3 |
    w: Quem não sa−be lê Quem não sa−be lê o A−be−cê
    %
    "A"A2 A2 e3 c | "Bm"B8 | "D"A2 A2 d3 c | "A"B A A A − A A3 |
    w: Ve−nha is−tu−dar Ve−nha is−tu−dar o Be−a−bá

    As linhas iniciadas com uma letra maiúscula seguida de dois pontos (:) são chamadas campos, que formam o cabeçalho e descrevem informações gerais sobre a peça. As linhas seguintes formam o corpo da música, e listam as notas e outros elementos. O caracter % indica o início de um comentário, fazendo com que o restante da linha seja ignorado pelos programas.

    As Alturas ou Notas são representadas por letras:

    • a: nota ou acorde de Lá Maior;
    • b: nota Si ou acorde de Si Maior (H em alemão);
    • c: nota ou acorde de Dó Maior;
    • d: nota ou acorde de Ré Maior;
    • e: nota Mi ou acorde de Mi Maior;
    • f: nota ou acorde de Fá Maior;
    • g: nota Sol ou acorde de Sol Maior.

    Os acordes menores são grafados pelas letras acima, acompanhados da letra "m" minúscula. Ex: Cm indica um acorde de Dó menor.
    Há outras alterações quando se utilizam tetracordes ou intervalos dissonantes. Ex: Cm7 indica acorde de Dó menor com sétima.
    O registro (oitava) é indicado pela diferenciação entre letras maiúsculas e minúsculas e pelo acréscimo de uma vírgula (,) ou um apóstrofo (') após a letra.
    A letra z minúscula indica uma pausa.
    Um número após uma nota ou pausa especifica sua duração (como sendo a unidade de duração multiplicada pelo número).
    Barras de compasso são representadas por uma barra vertical (|), ritornelos são iniciados com |: e terminados com :|, e a barra dupla final é indicada por |].
    A letra da música é escrita usando−se o campo w: abaixo da linha de notas correspondente.
    Acorde cifrado é escrito entre aspas duplas (") à esquerda da nota.
    Várias peças de música podem ser escritas num único arquivo ABC, separadas umas das outras por pelo menos uma linha em branco.

    O código em Notação ABC dado como exemplo acima, após processado pelo programa abcm2ps, gera a seguinte partitura:

    Quem não sabe lê

  6. Tablatura:

    A Tablatura (ou tabulatura) é uma forma de notação musical, que diz ao intérprete onde colocar os dedos em um determinado instrumento em vez de informar quais notas tocar, permitindo aos músicos tocar o instrumento sem formação especializada. Esta notação tornou−se comum para partilhar músicas pela Internet, já que permite escrevê−las facilmente em formato ASCII.

    Exemplo de Tablatura numérica para Vihuela do livro "Orphenica Lyra" de Miguel de Fuenllana (1554). Os números em vermelho (no original) indicam a parte vocal.

    Acima vemos o exemplo de Tablatura numérica para Vihuela do livro "Orphenica Lyra" de Miguel de Fuenllana (1554). Os números em vermelho (no original) indicam a parte vocal.

    A Tablatura é na maior parte das vezes (mas não exclusivamente) encontrada para instrumentos de cordas trasteados, em cujo contexto é geralmente chamada, no universo anglo−saxão, pela forma reduzida tab (exceto para alaúde). É frequentemente usada para violão, guitarra elétrica, baixo elétrico, alaúde, arquialaúde, teorba, angélique, mandora e vihuela, mas em princípio pode ser usada para qualquer instrumento de cordas trasteados, inclusive o ukulele, o bandolim, o banjo e a viola da gamba — assim como muitos aerofones de palheta livre como a harmônica. Enquanto atualmente a Tablatura é mais usada para notar música rock e pop, é frequentemente vista na música folclórica e era muito comum na Europa durante os períodos da renascença e do barroco. (No contexto da Tablatura moderna para guitarra ou violão, a notação musical padrão é geralmente chamada de "Notação na Pauta" — apesar das Tablaturas também serem escritas em uma "Pauta").

    Três tipos de Tablatura para órgão também foram usadas na Europa: a alemã, a espanhola e a italiana. Existem também vários tipos de Tablatura para ocarina. Tablatura para harpa também foi usada na Espanha e no "País de Gales". Um uso alternativo (alguns diriam incorreto) da expressão inglesa tab é comum na Internet, e se refere às chamadas cifras (para a harmonia), ou às notas (para a melodia).

    1. Etimologia:

      A palavra Tablatura remete ao latim: tabulatura. Tabula é uma tábua, prancha ou lousa em latim. Tabular alguma coisa significa colocá−la em uma tábua, prancha ou lousa.

    2. Ortografia:

      Há duas ortografias frequentes, com (tabulatura) e sem "u" (tablatura). Enquanto Tabulatura é mais próxima da palavra original em latim, e assim mais correta etimologicamente, a versão adaptada Tablatura parece estar mais espalhada, ao menos no inglês moderno. Tabulatura é considerada a ortografia "clássica" e é usada com mais frequência em círculos acadêmicos, particularmente em relação ao alaúde, enquanto Tablatura é mais encontrada no contexto da música popular.

      E como são palavras relativamente longas (para os padrões da língua inglesa), são com frequência substituídas pela contração tab no inglês coloquial. Para ser menos ambíguo, é precedida pelo nome do instrumento (i.e. guitar tab, bass tab, organ tab) quando necessário.

    3. Origem:

      O primeiro registro que se tem de sua existência na Europa é por volta de 1300. Na Ásia existem Tablaturas muito mais antigas.

      Tablaturas para alaúde eram de três principais variedades: francesa, italiana (também bastante usada na Espanha, Baviera e sul da França) e a alemã. Uma variedade especial de Tablatura italiana, chamada "napolitana" esteve em uso no sul da Itália, e uma variedade polonesa da Tablatura francesa aperece em um único manuscrito. A Tablatura francesa gradualmente passou a ser a mais usada. Tablaturas para outros instrumentos também eram usadas desde a Renascença. Tablaturas para teclado floresceram na Alemanha entre 1450 e 1750 e na Espanha entre 1550 e 1680. Muito da música para alaúde e outros instrumentos históricos de cordas pinçadas durante a renascença e o barroco eram originalmente escritas em Tablatura, e muitos intérpretes modernos desses instrumentos ainda preferem esse tipo de notação, muitas vezes usando facsímiles das impressões originais ou manuscritos, cópias manuscritas, edições modernas em Tablatura ou versões feitas com o auxílio de programas de computador.

    4. Conceitos:

      Enquanto a Notação musical padrão representa o ritmo e a duração de cada nota e a sua altura relativa à escala baseada em uma divisão em doze partes (tons) da oitava, a Tablatura é mais "operacional", indicando quando e onde colocar os dedos para gerar uma nota, de forma que a altura é denotada implicitamente. Os símbolos rítmicos da Tablatura dizem quando iniciar uma nota, mas quase nunca há uma indicação precisa de qunto tempo ela deve durar, então, a duração fica muito mais a critério do intérprete do que na notação convencional. Por isso é comum dizer que a Tablatura é uma notação prescritiva e a notação convencional (em pauta), descritiva.

      A Tablatura para cordas pinçadas é baseada sobre uma representação em diagrama das cordas e trastes do instrumento. A de teclado mostra as teclas do instrumento e a de flautas mostram que furos devem ser mantidos abertos ou fechados.

    5. Exemplo:

      Neste esquema, as linhas representam as cordas (da mais aguda para a mais grave) e os números representam a casa em que a corda deve ser pressionada e ferida.

      Exemplo: (introdução de "Stairway to Heaven", do "Led Zeppelin"):

      e|−−−−−−−5−7−−−−−7−8−−−−−8−2−−−−−2−0−−−−−−−−−0−−−−−−−−−−−−−−|
      B|−−−−−5−−−−−5−−−−−−−5−−−−−−−3−−−−−−−1−−−1−−−−−1−−−−−0−1−1−−|
      G|−−−5−−−−−−−−−5−−−−−−−5−−−−−−−2−−−−−−−2−−−−−−−−−2−−−0−2−2−−|
      D|−7−−−−−−−6−−−−−−−5−−−−−−−4−−−−−−−3−−−−−−−−−−−−−−−−−2−2−2−−|
      A|−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−2−0−0−−|
      E|−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−|

      Com alguns sinais mais sofisticados, a Tablatura pode ainda denotar o tempo das notas e as articulações.

    6. Como ler uma Tablatura?

      O conceito básico da Tablatura é representar no papel um conjunto de linhas que representam as cordas do instrumento. Sendo assim para uma guitarra ou violão comum teremos seis linhas, para um baixo de quatro cordas terá quatro linhas, para um baixo de cinco cordas, cinco linhas e assim por diante. Uma Tablatura vazia de guitarra ou violão apresenta−se da seguinte forma:

      E−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−
      B−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−
      G−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−
      D−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−
      A−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−
      E−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−

      A linha de baixo representa a corda mais grossa e a linha de cima representa a corda mais fina. De cima para baixo as linhas representam as cordas Mi, Si, Sol, , , Mi.
      Uma Tablatura vazia de baixo (quatro cordas) apresenta−se da seguinte forma:

      G−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−
      D−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−
      A−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−
      E−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−

      Os números escritos nas linhas indicam em que traste as respectivas cordas devem ser calcadas. O número 0 indica corda solta. As notas devem ser lidas da esquerda para a direita.

      E−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−
      B−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−
      G−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−
      D−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−
      A−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−
      E−−−0−−1−−2−−3−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−

      O exemplo acima indica as seguinte notas (uma de cada vez) na ordem:

      • corda mais grossa deve ser tocada solta (0);
      • depois a mesma corda deve ser tocada no primeiro traste (1);
      • depois a mesma corda deve ser tocada no segundo traste (2);
      • depois a mesma corda deve ser tocada no terceiro traste (3).

      Por vezes, a representação dos acordes aparecem ao alto, com a corda mais grave à esquerda e a mais fina à direita.

      1. Notações usadas em Tablaturas:

        Além dos números que indicam qual corda deve ser calcada e em qual traste, existem algumas letras e símbolos usadas para notar determinadas técnicas. Essas notações podem variar um pouco de autor para autor mas as mais comuns são:

        • H — fazer um hammer−on;
        • P — fazer um pull−off;
        • B — fazer um bend;
        • R — soltar o bend;
        • — slide: desliza na direcção do corpo da guitarra, do grave para o mais agudo (pode ser usado s);
        • — slide: desliza na direcção da pestana, do agudo para o mais grave (pode ser usado s);
        • ~~~~~ — vibrato (pode ser usado v);
        • T — tap;
        • PM (Palm Muting) — tocar a nota abafada (Mão direita é que abafa);
        • X (Muffled Notes) — Nota abafada (Mão esquerda é que abafa).

        Na Tablatura as palhetadas são indicadas através dos sínais:

        • Palhetada para cima;
        • Palhetada para baixo.

        Aqui vai um exemplo:

        E|−−3−−−−−−−−−−−−−−−−−|−3−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−|
        B|−−3−−−−−−−−−−−−−−−−−|−3−−5b6−−−−−−−−−−−−−−−−−−−|
        G|−−3−5b6−−5~~−−3−−−−−|−3−−5b6−−−−−5~~−−−3~−−−−−−|
        D|−−3−−−−−−−−−−−−5~~−−|−3−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−5~~−|
        A|−−5−−−−−−−−−−−−−−−−−|−5−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−|
        E|−−3−−−−−−−−−−−−−−−−−|−3−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−|